Ministério Público investiga Prefeitura de São Paulo por pagamentos milionários a professores de creches conveniadas

A Prefeitura de São Paulo está no centro de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre o pagamento de prêmios em dinheiro destinados a professores de creches conveniadas ao município. O caso envolve repasses realizados desde 2023 e levanta questionamentos sobre a legalidade da utilização de recursos públicos para essa finalidade.

Segundo o Ministério Público, os pagamentos não possuíam previsão legal nem autorização específica no orçamento municipal dos anos em que foram executados. Diante desse entendimento, os promotores consideram que os repasses não poderiam ter sido realizados da forma como ocorreram, o que motivou a abertura de inquéritos para apurar possíveis irregularidades.

As investigações tiveram início no ano passado e continuam em andamento. Recentemente, após recomendação expedida pelo Grupo de Atuação Especial da Educação (Geduc) e pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, a administração do prefeito Ricardo Nunes decidiu suspender os pagamentos. A medida foi interpretada pelo Ministério Público como uma ação necessária para evitar novos desembolsos considerados incompatíveis com as normas que regem a aplicação dos recursos da educação.

De acordo com os cálculos apresentados pelos investigadores, a interrupção dos repasses representa uma economia estimada em aproximadamente R$ 200 milhões para os cofres municipais. Apesar da suspensão, o foco das apurações permanece voltado para os valores pagos anteriormente, incluindo a análise sobre eventual necessidade de recomposição dos recursos públicos utilizados nos anos anteriores.

O debate ganhou novos contornos após a aprovação, pela Câmara Municipal de São Paulo, de uma legislação proposta pelo Executivo para regulamentar os pagamentos aos professores das entidades conveniadas daqui para frente. Embora a iniciativa estabeleça regras para futuros repasses, ela não interfere nas investigações já instauradas nem afasta a análise dos atos praticados antes da criação da nova norma.

No entendimento do Ministério Público, o pagamento dos chamados prêmios em dinheiro afronta princípios constitucionais relacionados à gestão dos recursos destinados à educação. Os promotores argumentam que a destinação dessas verbas para profissionais vinculados a instituições privadas conveniadas pode comprometer a aplicação prioritária dos recursos na manutenção e ampliação da rede pública municipal de ensino.

Outro ponto destacado pelos investigadores é que os valores teriam contribuído para ampliar o volume de recursos direcionados a entidades privadas parceiras da Prefeitura, em vez de fortalecer diretamente a estrutura das escolas públicas administradas pelo município. Para o órgão, a política adotada nos últimos anos levanta dúvidas sobre a observância dos critérios constitucionais e legais que orientam os investimentos na educação básica.

A controvérsia ocorre em um momento de intensa discussão sobre financiamento da educação pública e transparência na aplicação dos recursos municipais. Enquanto a Prefeitura busca regulamentar os mecanismos de incentivo aos profissionais das creches conveniadas, o Ministério Público mantém o foco na análise da legalidade dos pagamentos já realizados.

O desfecho das investigações poderá ter impactos significativos tanto na gestão dos recursos educacionais quanto na relação entre o poder público e as entidades conveniadas que atuam no atendimento à educação infantil na capital paulista. Até lá, o caso segue como um dos principais temas em debate na área da educação pública municipal.

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